Na última semana algumas coisas não estavam se encaixando direito ainda, mesmo depois de algumas mudanças e questões resolvidas, existiam vestígios que precisavam ser retirados, limpos e libertos.
Talvez realmente existam aqueles tais momentos na vida que sentimos uma imensa vontade de nos abraçar, pois andamos tão distantes do nosso corpo de carne que a nossa essência anda perdida por aí. É como se os tropeços e arranhões que sofremos durante todo esse tempo de vida tivessem roubado a nossa identidade. É aquela sensação de se olhar no espelho e não se reconhecer totalmente, sabe?
Quarta, quinta e sexta, bebi umas 10 garrafas de café, algumas cervejas e acabei com um frasco cheio do meu antialérgico sabor cereja. Comi duas lasanhas e uma pizza de quatro queijos. Ouvi três playlists completas no Spotify e decorei (de cabo a rabo) a música Despacito. Ainda assim me sentia meio vazia e ao mesmo tempo entupida de coisas que precisavam ser deixadas para trás.
Sábado acordei por volta das 10h, passei um café bem forte, sentei no sofá e pensei sobre como e por que ainda me sentia daquele jeito. Talvez fosse a cor do meu sofá que não ornava mais com as almofadas ou o fato do meu esmalte estar descascado há mais de uma semana. Mas não era nada daquilo. Algo realmente precisava ir embora.
Logo lembrei que meu armário estava abarrotado de coisas que não me serviam mais. Algumas calças jeans de cintura baixa que me deixavam com culotes salientes e saias que não passavam mais pelos meus quadris. Resolvi que iria tirar tudo dali. Fazer um limpa.
Lembra daquela blusinha ciganinha que ganhei da minha mãe no meu “antequaquaquajézimo” aniversário? Aquela que está com um furo enorme na axila e uma marca de alvejante nas costas? Então, ela foi a primeira peça que mandei embora.
Tem também aquela calça jeans que era azul, mas que já está tão desbotada que não sei mais sua cor atual, usei ela no dia em que eu e o João nos beijamos pela primeira vez, o beijo não foi tão bom assim como eu esperava, mas eu estava linda, aquela calça me deixava com uma bunda maravilhosa. Adeus calça!
E esse cropped? Usei ele duas ou três vezes, num churrasco com amigos e no ano novo também, todas as vezes foi com aquela saia longa florida que adoro e que não vou doar tão cedo, ela me deixa com uma cintura linda! Adeus cropped, você vai achar outra pessoa que te use mais do que eu.
Demorei umas duas horas, saí do quarto com uma sacola enorme, cheia de roupas e alguns calçados. Fiquei com a metade das peças que tinha, mas tirei um peso imenso dos cabides e do coração também.
Ter colocado adiante aquelas roupas que não me serviam mais ou que eu nem gostava tanto assim, me fez pensar em como todos nós deveríamos fazer uma limpa como esta nos nossos sentimentos algumas vezes ao ano. Guardamos tanta coisa inútil dentro da gente, né? Seguramos tantas blusinhas com furos e marcas de alvejante dentro da nossa alma. Tudo por medo ou receio de simplesmente deixar ir.
Não é simples como encher uma sacola de doações, mas é preciso deixar que coisas não tão boas saiam para que outras realmente importantes ocupem espaço dentro de nós. Limpar a alma das coisas que não nos servem mais pode doer um pouco, mas é extremamente necessário para a sanidade emocional.

Life Style

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